quarta-feira, 17 de outubro de 2012

SOBRE O RITO DE YORK - PARTE 01





O QUE É O REAL ARCO



Seja qual for o Rito Simbólico de origem, o Maçom que chega ao Grau de Mestre pode ascender por duas escadas – ou ambas ! – para completar sua educação: os Altos Graus do Rito Escocês Antigo e Aceito ou os Altos Graus do Rito de York.

Neste último, os quatro primeiros degraus constituem o que chamamos Real Arco. Diferentemente dos dos Altos Graus do R.E.A.A., conhecidos por números, os Graus do Real Arco são conhecidos apenas por seus nomes: Mestres de Marca, Past Masters, Mui Excelentes Mestres e Maçons do Real Arco. Esses Graus revivem, na íntegra, a história do Templo do Rei Salomão, subsequente à morte do Arquiteto, em Cerimônias de profundo simbolismo, consistência e beleza.


Os Graus do Real Arco



Ao ser adiantado ao Grau de Mestre de Marca, o Mestre Maçom estará resgatando uma das tradições operativas mais singelas e significativas da Idade Média – e passando a identificar-se como faziam nossos antepassados que construíram as magníficas catedrais góticas.

No Grau de Past Master, estará recebendo um privilégio, porque, no começo, o Real Arco era prerrogativa exclusiva de Mestres Eleitos ou Instalados.

O Grau de Mui Excelente Mestre é o único Grau Maçônico de qualquer Rito que fala da conclusão e dedicação do Templo de Salomão. Sua nobreza e carga emocional o tornam uma das mais belas etapas da senda Maçônica.

O Grau de Maçom do Real Arco coroa, de forma grandiosa, os conhecimentos do Mestre Maçom. É o momento em que a Lenda do Templo será concluída para você em magnífico esplendor.

O Real Arco traz, a Maçons de todos os Ritos, uma nova compreensão do Simbolismo. Leva a pensar, a comparar e a entender. Conduz à emoção e ao encantamento. Eleva o Mestre Maçom a uma dimensão inteiramente nova.


Um pouco de história


Por mais de dois séculos, para a grande maioria dos Maçons de todo o mundo, o Real Arco tem sido o complemento indispensável da educação dos Mestres Maçons.

Na época em que a Maçonaria inglesa encontrava-se dividida em duas Grandes Lojas rivais, Laurence Dermott (1720-1791), o famoso e combativo Grande Secretário dos Antigos, dizia que o Real Arco era “a raiz, o coração e o cerne da Maçonaria”. A Grande Loja dos Antigos já praticava o Real Arco desde sua fundação. E o considerava tão importante que chegou a ser conhecida como a “Grande Loja dos Quatro Graus”. Seu brasão prova isso, porque só ostentava elementos simbólicos do Real Arco.

Quando veio a União das duas Grandes Lojas, dos Modernos e dos Antigos, em 1813, o Real Arco inglês, alguns anos depois, acabou por encaixar-se nos Graus Simbólicos. Ele assim é praticado pelos Irmãos do Grande Oriente do Brasil. Foi nos Estados Unidos, entretanto, que o Real Arco alcançou a maravilhosa consistência ritualística que mantém nos dias de hoje.

Em 1797, Thomas Smith Webb, famoso ritualista americano, registrou seu Monitor (algo parecido aos nossos rituais, porém quase todo cifrado) e conseguiu que representantes de diversos Capítulos se reunissem em Boston, em 24 de outubro do mesmo ano. Esta Convenção é considerada hoje o ponto de partida para o que é atualmente conhecido como The General Grand Chapter of Royal Arch Masons, International. Podemos dizer que foi a partir daí que o Real Arco americano cristalizou-se em toda sua beleza.

O Real Arco inglês e o americano se reconhecem mutuamente. Mas como a versão inglesa tem um único Grau, um Maçom inglês, para entrar num Capítulo americano que estiver trabalhando nos Graus de Mestre de Marca, Past Master e Mui Excelente Mestre, deve receber primeiro aqueles Graus.

No Real Arco, deve-se enfatizar, todos os Graus são iniciáticos.


Alguns detalhes


O título de quem pertence ao Real Arco é Companheiro, não no mesmo sentido do Fellowcraft, título do Grau 2 do Simbolismo em inglês, mas de Companion (termo inglês derivado do latim cum panis, “aquele com quem se reparte o pão”). O traje usual é balandrau. Em algumas das Cerimônias, os Candidatos devem usar terno e gravata pretos.

Embora levadas extremamente a sério, as Sessões são leves e descontraídas, deliberadamente, para estimular um clima respeitoso e propício ao diálogo e ao aprendizado.

Os ensinamentos são discutidos livremente, sem qualquer imposição dogmática, como é próprio a homens livres e de bons costumes. Até porque – e este é um dos motivos de fascínio do Capítulo – estamos todos aprendendo e construindo.


Participação ativa


Um dos aspectos fundamentais do Real Arco é a mais absoluta transparência. Além da participação ativa dos Companheiros na Administração, o Capítulo tomou a iniciativa pioneira de fazer a publicação periódica, em periódicos maçônicos, de balancetes semestrais e relatórios anuais. Desta forma, os Companheiros têm informações detalhadas para que possam influir nos destinos do CapítCapítulo, tanto na parte financeira quanto na parte administrativa. Afinal, a gestão democrática é um imperativo para qualquer Corpo Maçônico legitimado nos Estados Unidos.


Para saber mais

Para o Maçom, a busca da Verdade é constante. Sabemos todos que esta Verdade é interior, mas o Real Arco é uma das formas mais belas de encontrá-la – pela companhia, pelo ambiente, pelas Cerimônias e pela sensação esplêndida de estar construindo algo absolutamente novo.

Vamos deixar que as palavras do Irm. Richard Sandbach, membro da famosa Loja de Pesquisas Quatuor Coronati, escritor maçônico de fama internacional, encerrem esta breve exposição:

Ao perceber que os ensinamentos da Ordem os deixa com um sistema de moralidade voltado às coisas do mundo e com uma lenda de perda, os Mestres Maçons percebem que deve haver algo mais. [...] O Real Arco é uma lenda de descobertas e sua mensagem é a de que vivemos na luz e na glória da eternidade.
[...]

O Real Arco mais do que completa a educação do Mestre Maçom com relação à história e os segredos – ele coloca a Maçonaria no contexto da Eternidade.

Grande Sumo Sacerdote Geral, Mui Excelente Edmund D. Harrison.

Como entrar

Um Mestre pode ser convidado, indicado ou pedir para entrar. Todas são formas igualmente honrosas. O Real Arco está aberto a Mestres Maçons ativos das potências maçônicas regulares.

Maiores informações aqui.


FONTE: Capítulo João Guimarães Gonçalves nº 1 do SGCMRAB, Uma nova (mais antiga) opção. Engenho & arte nº 01, 1998, pp. 21-23.


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