sexta-feira, 19 de outubro de 2012

SOBRE O RITO DE YORK - PARTE 02





OS GRAUS CRÍPTICOS


O Rito Críptico, de acordo com a Enciclopédia Maçônica de Coil, é “um dos menores, mas um dos mais importantes e certamente um dos mais curiosos de todos os ritos”. Pois “críptico vem do grego krypte que significa “oculto, escondido ou segredo” e assim veio significar uma caverna ou outro lugar subterrâneo oculto.

Os graus Crípticos são centrados em histórias que envolvem uma cripta sob o Templo do Rei Salomão em Jerusalém, onde certos “tesouros” foram escondidos para propósitos muito específicos. Eles foram primeiro chamados “Tesouros Crípticos” por Rob Morris, um Maçom muito influente de 1800.

Se com o Real Arco, o Maçom recupera o que foi perdido, num Conselho de Maçons Crípticos irá aprender como preservá-lo.  A Maçonaria Críptica é composta pelos graus de Mestre Real, Mestre Escolhido e Super Excelente Mestre.

Os Conselhos de Mestres Reais e Escolhidos formam o corpo central dos Altos Graus do Rito York americano, ocupando um lugar discreto entre as grandes massas dos Graus Capitulares do Real Arco e das Comendas das Ordens de Cavalaria.


Um pouco de história



A maioria dos registros maçônicos afirma que o Rito Críptico ou Secreto originou-se na America, há cerca de 200 anos atrás. Mas os Gruas de Mestre Real e Mestre Escolhido vieram da França, através das Índias Ocidentais, como “Graus laterais” do Rito de Perfeição.

Stephen Morin foi nomeado Inspetor Geral para o Novo Mundo pelo Grande Consistório de Príncipes do Real Segredo e veio para a Jamaica. Lá, além de conferir os Graus do Rito, ajudou a formar um Consistório e nomeou Henry A. Francken como Deputado do Grande Inspetor Geral, investindo-o com poderes para propagar o Rito de Perfeição. Só que, além dos 25 Graus que conhecemos – e que formariam a baste do Rito Escocês Antigo e Aceito – sabemos da existência de outros “laterais”, totalizando um conjunto de 53 Graus!

Francken, por sua vez, nomeou Moses Michael Hayes como Deputado do Inspetor Geral para a América do Norte. Em suas viagens, Francken abriu uma Loja de Perfeição em Albany, no estado de New York (1767), enquanto Hayes organizou um Conselho de Príncipes de Jerusalém em Charleston (1788).

As Lojas de Perfeição concentraram-se principalmente nos vinte e cinco graus do seu Rito. Já os Graus “laterais” eram ocasionalmente conferidos por Maçons viajantes.



Assim, Abraham Jacobs recebeu os Graus do Rito de Perfeição em Charleston e mais outros Graus na Jamaica, incluindo o de Maçom Seleto de Vinte e Sete. Jacobs, em 1804, conferiu os Graus a candidatos na cidade de New York, entre os quais estava Thomas Lownds.

Logo depois, em 1807, houve uma confusão infernal quando o francês Joseph Cerneau abriu um Consistório do Grau 32 (REAA), sem qualquer autorização regular.

Em meio aos distúrbios, Thomas Lownds aproveitou o Grua de Mestre Real dos graus laterais e formou o primeiro Conselho Críptico do mundo, intitulado Columbian Grand Council of Royal Masters Masons.

Em 1818, em New York, Thomas Lownds conferiu o Grau de Mestre Real a Jeremy Cross. Este, ao longo do mesmo ano, agrupou os Graus de Mestre Real e Mestre Escolhido e mesmo sem ter a devida autorização, criou os “Conselhos de Mestres Reais e Escolhidos”, o que faz dele o fundador da Maçonaria Críptica.

Cross percorria os Estados Unidos por motivos profissionais. Conferia a Maçons do Real Arco o grau de Mestre Escolhido e mesmo sem ter a competente autoridade, fornecia liberações para criação de Conselhos de Mestres Escolhidos. Desta forma, antes de 1815 formavam-se Conselhos de Mestres Reais, sem as devidas autorizações.

Os fatos acima procuram mostrar a origem dos Conselhos de Mestres Reais e Escolhidos.

Merece registro o fato de que estes Graus foram adotados de imediato pelos Maçons americanos, atestando assim o seu valor como complemento das lições da Maçonaria dos Antigos e sua importância para o Rito de York.


A abóbada e seus mistérios – simbologia



Os Graus Crípticos ou Secretos são assim conhecidos em virtude de estarem relacionados com a cripta subterrânea que existia sob o Templo do Rei Salomão. Arqueólogos e estudiosos bíblicos confirmam a existência destas abóbadas secretas.

O Simbolismo Críptico compreende o período bíblico do Gênesis, à época de Enoch, cuja lenda aparece nos primitivos mitos maçônicos e serve como plano de fundo para os Graus Crípticos.

As atividades dos Mestres Reais e Escolhidos ocorrem no edifício do Templo do Rei Salomão. No Conselho Críptico, o Ilustre Mestre é ao mesmo tempo a representação simbólica do Rei e Sumo Sacerdote.



A cor ritualística do Conselho é a púrpura, que está na orla dos aventais, representando a perfeição atingida pelo Mestre Escolhido e os reais atributos inerentes ao Grau.

O emblema do Triângulo quebrado com a Espada e a Trolha servem como memória e inspiração para nossa conduta futura. Os Nove Arcos, a Arca, o Altar e os Vasos Sagrados têm significativo papel na iniciação.

Uma das razões para a sua popularidade é que completam a história da alegoria maçônica. Para cada dois Maçons do Real Arco, um deles é Maçom Críptico, portanto com condições de ascender às Ordens de Cavalaria.



O último dos Graus Crípticos, Super Excelente Mestre, constitui-se em um Grau lateral, preparando o candidato para a Ordem da Cruz Vermelha, o primeiro dos Graus de Cavalaria. É dramático e impressionante, baseado diretamente na destruição do Templo do Rei Salomão por Nabucodonosor, rei dos caldeus, no ano de 586 a.C. e no período que se segue.


A organização atual

Grão-Mestre, Ilustríssimo Companheiro George Sellars


O General Grand Council of Cryptic Masons International (Grande Conselho Geral de Mestres Reais e Escolhidos Internacional) foi fundado em 23 de agosto de 1890, em Detroit, Michigan, sob a liderança de Josiah H. Drummond e inicioou os seus trabalhos com nove Conselhos de Mestres Reais e Escolhidos em 1881.

O Grande Conselho Geral de Mestres Reais e Escolhidos Internacional tem por metas proteger e guardar os interesses da Maçonaria Críptica mundial, coordenar os Grandes Conselhos filiados e orientar seus filiados. Está atualmente dirigido por seu Grão Mestre, Ilustríssimo Companheiro George Sellars.


FONTE: FOLTZ, Carlos L. A Maçonaria Críptica. Revista Engenho & Arte nº 07, 2000, pp. 85-87 (adaptado).








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